A inclusão das pessoas com deficiência no
âmbito escolar é um debate atual que demanda a organização de várias propostas
e metodologia de trabalho, pelas especificidades inerentes à pessoa humana e
pelas diversas barreiras existentes no contexto escolar. Contudo, tais
estratégias dependem das especificidades de cada pessoa, da experiência, e da
criatividade e observação do professor. A comunicação é um direito e, portanto,
a pessoa com perda auditiva precisa ser respondida em suas perguntas e
encontrar no contexto socioeducativo as condições de interagir com todos: isso
é imprescindível para o seu desenvolvimento.
Segundo
(GÕES, 1996) “É necessário criar condições para a aprendizagem, já que a falta
de linguagem comum é o que dificulta esse processo, é importante lembrar que a
surdez não está associada à perda da capacidade cognitiva. Portanto, não há
limitações cognitivas ou afetivas inerentes a surdez, tudo depende das
possibilidades oferecidas pelo grupo social para o seu desenvolvimento, em
especial para a consolidação da fala.”
O processo de alfabetização da pessoa com
surdez na língua portuguesa é considerado um dos grandes desafios na educação
desses sujeitos. Assim, entender as implicações da surdez na alfabetização
passa também pela compreensão da importância da audição para alfabetizar em uma
língua oral auditiva, cuja escrita alfabética é um sistema notacional.
O
fracasso do processo educativo das pessoas com surdez esta relacionado a
problemas voltados a prática pedagógica do professor e não a um problema
lingüístico. O professor nesse atendimento, registra o desenvolvimento que o
aluno apresenta, fazendo um diagnóstico inicial, em seguida elabora o plano AEE
PS.
Conforme Damázio (2005:69-123) “A prática
pedagógica dos profissionais que atuam em prol da educação da pessoa com
surdez, tem que envolver os três momentos
didático-pedagógicos, que são: Atendimento Educacional Especializado EM LIBRAS;
Atendimento Educacional Especializado para o ENSINO DA LÍNGUA PORTUGUESA e o
Atendimento Educacional Especializado para o ensino de LIBRAS.”
Este plano deve respeitar o ambiente
comunicacional das duas línguas e a participação ativa e interativa do aluno
com surdez, assegurando uma aprendizagem efetiva. A organização didática desse
espaço de ensino implica o uso de muitas imagens visuais e de todo tipo de
referências, os materiais e os recursos para esse fim precisam estar presentes
na sala, sendo primordial para facilitar a compreensão do conteúdo de Libras. É
importante ressaltar que o professor do AEE PS deverá trabalhar em parceria com
o professor da sala comum, profissionais da saúde que o acompanhe e
principalmente a família.
O maior desafio das políticas públicas
inclusivas nas escolas brasileiras é a construção desses ambientes ao ensino do
desenvolvimento e a naturalidade na sua aquisição. Para oferecer o aprendizado
dessa língua de forma significativa, resguardando que seus usuários tenham
apropriação de maneira natural, é importante a presença de profissionais com
surdez, se possível, nesse ambiente.
Portanto
o principal objetivo do AEE PS é preparar o aluno com surdez para a
individualidade e a coletividade, procurando um processo perceptivo,
lingüístico e cognitivo, que poderão ser desenvolvidos no cotidiano escolar,
tornando-os seres capazes, produtivos e constituídos de várias linguagens, com
potencialidade para adquirir e desenvolver não somente os processos
visuais-gestuais, mas também ler e escrever as línguas em seu estorno, buscando
a superação a transcendência do social,
do cultural e do histórico-ideológico.
Referências Bibliográficas:
DAMÁZIO, Mirlene F. M. Tendências Subjacentes à Educação das Pessoas com
Surdez. In: Atendimento Educacional Especializado: Pessoa com surdez. Curitiba:
CROMOS, 2007. P. 19-21.
DAMÁZIO, Mirlene F. M. Alves, Carla B. e FERREIRA, Josimário de P. Educação
Escolar de Pessoas com Surdez In AEE: Fascículo 04: Abordagem Bilíngue na
Escolarização de Pessoas com Surdez. Fortaleza: Universidade Federal do Ceará,
2010. P.07-09.
KOSLOWSKU, L. A Proposta bilíngue de educação do surdo. Revista Espaço. Rio de
Janeiro: INES, nº 10, p. 47-53, dezembro, 1998.
DAMÁZIO, Mirlene Ferreira Macedo. Educação Escolar Inclusiva das Pessoas com
Surdez na Escola Comum: Questões Polêmicas e Avanços Contemporâneos. In: II
Seminário Educacional Inclusiva: Direitos à Diversidade, 2005, Brasília.
Anais... Brasília: MEC, SEESP, 2005. P.108-121.
DAMÁZIO, m. f. m.; Alves, c. b. Atendimento Educacional Especializado do aluno
com surdez. Capítulo 4. São Paulo: Moderna, 2010.